domingo, 20 de março de 2011

Ato em defesa da Educação Pública


ATO PUBLICO – 31 de março!
Dia Estadual em defesa da EducaçãoPública!
Concentração: a partir das 10h na Candelária.

PASSEATA Candelária-Cinelândia


Fórum Estadual em Defesa da Escola Pública

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

FÓRUM EM DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA

Próxima reunião do Fórum será no dia 14 de fevereiro, às 18 horas, no SEPE/RJ, Rua Evaristo da Veiga, 55, 7º andar, Centro.

ATO PÚBLICO, dia 23 de fevereiro, na UERJ (local a confirmar), de 14 às 18 h.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

DOCUMENTO FINAL DO I FÓRUM ESTADUAL DE PROFESSORES DE SOCIOLOGIA DO RIO DE JANEIRO

A Assembleia do “I Fórum Estadual de Professores de Sociologia do Rio de Janeiro: sociologia e mercado de trabalho” foi iniciada às treze horas, no dia treze de novembro do ano de dois mil e dez, no auditório do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro - ISERJ/Faetec, localizado na Rua Mariz e Barros, 273, Praça da Bandeira, Rio de Janeiro, para apreciar e deliberar propostas do fórum, que foi iniciado no dia doze de novembro, do mesmo ano, no mesmo local, às dezoito horas, e estiveram presentes na mesa de abertura, os representantes das entidades: 1. que o compõem: Wanderley Julio Quêdo, presidente do SINPRO-Rio – Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro; Roberto Adão, presidente da ADCP II – Associação de Docentes do Colégio Pedro II; Júlio César Sanches Silva, presidente da Analítica, Pesquisa & Consultoria - Empresa Junior da Universidade Federal Fluminense; Antonio Carlos Lima Rios, diretor da FMG - Fundação Maurício Grabois e Nilton Soares de Souza Neto, presidente do SINDSERJ – Sindicato dos Sociólogos do Estado do Rio de Janeiro; 2. convidadas: José Carlos Madureira, diretor da CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil-RJ; Glorya Maria Alves Ramos, secretária de igualdade racial da CUT – Central Única dos Trabalhadores e Célia Regina Neves da Silva, coordenadora do Curso de Ciências Sociais da FEUC – Fundação Educacional Unificada Campograndense e 3. que o apoiam: Sandra Regina Pinto dos Santos, diretora do ISERJ/Faetec. No dia treze de novembro, os trabalhos foram iniciados às dez horas com a exposição dos seguintes professores palestrantes: Célia Neves, coordenadora do Curso de Ciências Sociais da FEUC; Ricardo Emmanuel Ismael de Carvalho, coordenador do Curso de Ciências Sociais da PUC-Rio – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; Rosana da Câmara Teixeira, representando Maria Lúcia Pontual, coordenadora do Curso de Ciências Sociais da UFF; Magna Corrêa de Lima Duarte, representando o SINPRO-Rio; Ricardo Cesar Rocha da Costa, professor de Sociologia do IFRJ – Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro – Campus São Gonçalo; Luiz Fernandes de Oliveira, professor de Sociologia da FAETEC – Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro; Marcelo Pereira de Mello, da coordenação do PPGSD/UFF - Curso de Pós-Graduação em Sociologia e Direito da UFF e Amaury Cesar Moraes, professor da Faculdade de Educação da USP - Universidade de São Paulo. A mesa foi mediada por Nilton Soares de Souza. Na tarde do mesmo dia, foi dado continuidade aos trabalhos sendo aberta a assembléia do fórum às treze horas. A assembleia foi presidida por Nilton Soares de Souza, que propôs que José Carlos Madureira e José Henrique Organista, delegado do SINDSERJ no Norte Fluminense, fossem respectivamente o primeiro e segundo secretários e que os representantes do “GT Em Defesa do Ensino de Sociologia da UFF”, Maria Clara, Jefferson Almeida da Silva e Maycon Santos assentassem à mesa, junto com Júlio César Sanches, da Analítica, e abrissem o debate. Inicialmente, o presidente propôs que fosse alterada a ordem prevista dos trabalhos, de forma que as discussões dos GT’s previstas, sobre Formação do Professor de Sociologia, o Livro Didático de Sociologia e o Currículo de Sociologia ocorressem no auditório e que fossem votadas as propostas e deliberadas pelos presentes como documento do evento no final das discussões. Aprovados os encaminhamentos, foram feitas intervenções pelas seguintes pessoas: José Carlos Madureira, Maycon Santos, Maria Teresa, Maria Clara, Henrique Organista, Jefferson de Almeida, Alci Bento Gonçalves, Felipe Souza, Márcio Franco, Míriam Dolzani, Júlio César Sanches, Nilton Soares de Souza e Valdeci Borges, logo depois o segundo secretário elencou as propostas apresentadas, quando foram dados todos os esclarecimentos e emendas às propostas e, por fim, o primeiro secretário colocou em votação, sendo aprovadas as seguintes deliberações:
1. Respeito, por parte da SEEDUC, aos professores formados em Ciências Sociais;
2. Que somente os professores formados em Ciências Sociais ou Sociologia possam efetivamente lecionar as aulas de Sociologia;
3. Mínimo de duas aulas semanais nos três anos do Ensino Médio;
4. Maior participação dos professores que exercem o magistério no ensino
básico, na produção e alterações curriculares;
5. Maior apoio institucional das Universidades à resolução dos entraves burocráticos, especificamente na questão da Licenciatura em Sociologia e em Ciências Sociais, ao conferir diplomas habilitando o licenciado para lecionar Sociologia na Educação Básica;
6. Buscar financiamento junto às agências de fomento e maior investimento para produção de pesquisas sobre ensino de Sociologia, currículos e livros didáticos;
7. Maior auxílio da Universidade aos licenciandos e licenciados, através de palestras, oficinas e demais atividades que possam contribuir para a consolidação do trabalho na Educação Básica, seja através dos investimentos acima, seja pela ação política institucional junto à SEEDUC/RJ;
8. Acompanhamento da discussão das Orientações Curriculares Nacionais – OCNs;
9. Questionar a separação entre bacharelado e licenciatura, evitando matrículas distintas destes cursos nas universidades, de forma que permita ao estudante se graduar tanto em Bacharel como em Licenciatura no mesmo curso de Ciências Sociais;
10. Buscar conhecer quem são os professores de Sociologia da Educação Básica;
11. Que na discussão do currículo esteja presente o ensino de metodologia da pesquisa para, em especial, como fazer uma resenha, como fazer um fichamento e como fazer um resumo na disciplina de Sociologia no Ensino Médio;
12. Inserção das explicações sociológicas de teóricos brasileiros no currículo mínimo a ser proposto para a disciplina de Sociologia no Ensino Médio e no Ensino Superior;
13. A constituição de três GT’s (grupos de trabalho): 1. sobre a Formação do Professor de Sociologia; 2. sobre Currículo de Sociologia e, 3. sobre Livro Didático de Sociologia, como órgãos do fórum, para elaborarem documentos e realizarem eventos sobre os três eixos que balizaram o fórum e que subsidiarão o próximo evento, se organizando também de forma acadêmica, com apresentação de trabalhos;
14. Que o fórum solicite Audiências Públicas nas três esferas de governo sobre os três temas que tratam os GT’s mencionados no item anterior;
15. Que as entidades organizadoras do Fórum promovam a elaboração de um projeto de pesquisa sobre o “Perfil dos Professores de Sociologia na Rede Pública e Privada do Estado do Rio de Janeiro”;
16. A criação do Fórum Estadual de Professores de Sociologia do Rio de Janeiro, coordenado pelas entidades SINDSERJ, SINPRO-Rio, SEPE – Regional VI; ADCP II, ADESA, FMG e ANALÍTICA, e pelo Grupo de Trabalho EM DEFESA DO ENSINO DE SOCIOLOGIA DA UFF, que serão permanentes;
17. A sede do Fórum Estadual de Professores de Sociologia do Rio de Janeiro provisoriamente estará localizada na sede do SINDSERJ, na Av. Presidente Vargas, 502, 1705, (Edifício SISAL), Centro, Rio de Janeiro, RJ, CEP 20071-000.
18. Realização do II Fórum Estadual de Professores de Sociologia do Rio de Janeiro em 2011, que tentará aglutinar os diversos eventos sobre Sociologia que vem acontecendo no Estado e no país, tendo em vista o fortalecimento das ações;
19. Que o Fórum Estadual de Professores de Sociologia do Rio de Janeiro seja 'batizado' de “Fórum Santo Conterato”.
Todas as propostas foram aprovadas por unanimidade.
Nada mais havendo a tratar, o presidente da plenária fez as considerações finais e agradeceu a todos pela participação, desejando que a próxima edição do fórum tenha o mesmo sucesso do primeiro evento e, logo depois, o documento foi lavrado por mim, José Carlos Madureira, primeiro secretário, às dezessete horas do dia treze de novembro do ano de dois mil e dez e aprovada por todos os presentes.
Rio de Janeiro, 13 de novembro de 2010.
Presidente da Assembléia:
Nilton Soares de Souza Neto
Secretários da Assembleia:
Primeiro secretário - José Carlos Madureira
Segundo secretário - José Henrique Organista

I FÓRUM DE PROFESSORES DE SOCIOLOGIA


PREZADOS/AS COLEGAS,

Enfim divulgamos, em anexo, o documento final do I Fórum Estadual de Professores de Sociologia do Rio de Janeiro, realizado no ISERJ, nos dias 12 e 13 de novembro de 2010, pelas entidades: SINPRO-RIO, SEPE-REGIONAL VI, ADCP II, ADESA, ANALÍTICA, FUNDAÇÃO MAURÍCIO GRABOIS E SINDSERJ, com o apoio do ISERJ - Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro, da FAETEC e da TVC-RIO e a colaboração do GT EM DEFESA DO ENSINO DE SOCIOLOGIA DA UFF, que passa a ser denominado Fórum Santo Conterato, conforme deliberação da plenária final.

O objetivo principal do fórum foi alcançado, ou seja, discutir a questão do magistério da disciplina de Sociologia nos vários níveis do ensino, da Educação Básica ao Ensino Superior, tendo o PROFESSOR de SOCIOLOGIA como protagonista do evento.

Outro objetivo fundamental foi a natureza POLÍTICA do evento que aproximou a universidade da questão do magistério, junto com as entidades representativas dos trabalhadores dessa categoria profissional. No evento foram apresentadas palestras sobre o currículo, livro didático e formação profissional, com a colaboração de professores destacados na área e coordenadores dos cursos de graduação em Ciências Sociais no Estado do Rio de Janeiro. Os mesmos reiteraram a abordagem política da questão do magistério e, ao final do evento, foram aprovadas as propostas que constituem o documento final que será encaminhado com as suas reivindicações para as entidades e organismos que representam a categoria e que elaboram políticas sobre o exercício do magistério da SOCIOLOGIA.

Finalmente, em relação aos objetivos, tratar da questão do magistério da Sociologia ampliando para a questão da Educação em geral foi relevante para avançarmos na discussão dos problemas dessa área. A participação de alunos e professores de várias instituições na plenária fez com que os objetivos do evento se tornassem realidade.

Uma breve reflexão diz respeito à forma dos encaminhamentos dos debates para se constituírem em objeto de luta política, como ilustra o documento em anexo. A experiência das entidades que realizaram o evento nos permitiu perceber o quanto é importante garantir o debate democrático e soberano do coletivo para podermos sair do caos em que se encontra a educação em nosso estado e no país em geral, com o fim de comprometer todos numa ação efetiva de mudança, na qual são atores e construtores do conhecimento de sua área de atuação.

Agradecemos a participação dos colegas que estiveram presentes no fórum e das entidades que o realizaram e apoiaram, garantindo a gratuidade do evento, ao custear exclusivamente, sem apoio de órgão de fomento: passagens, alimentação, divulgação e outras despesas, oferecendo transporte para os colegas da FEUC, em Campo Grande, passagens aéreas para palestrantes, lanches e almoço para os participantes e certificado para todos.

No próximo encontro, o fórum, aprovado para realizar-se em 2011, será antecedido por GTs, que se constituíram como órgãos que se ocuparão da apresentação de trabalhos acadêmicos e indicativos para subsidiar o Fórum Santo Conterato.

Esta denominação do fórum (Fórum Santo Conterato), foi uma homenagem ao prof. Santo Conterato, falecido este ano, que lutou incansavelmente pela implantação da Sociologia como disciplina obrigatória no Ensino Médio do Rio de Janeiro, primeiro estado da União a adotar esta iniciativa. A proposta da homenagem foi aclamada por todos os presentes e teve a anuência de sua viúva, a profª Ignês.

Saudações,

Nilton Soares de Souza Neto
Presidente da plenária final

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O I Fórum Estadual de Professores de Sociologia do Rio de Janeiro terá como tema “Sociologia e Mercado de Trabalho”



O I Fórum Estadual de Professores de Sociologia do Rio de Janeiro terá como tema “Sociologia e Mercado de Trabalho”, e se realizará nos dias 12, sexta-feira, e 13, sábado, de novembro, no ISERJ – Instituto Superior de Educação, Rua Mariz e Barros, 273, Praça da Bandeira, que está sendo organizado pelo:

SINDSERJ, SINPRO-RIO, SEPE REGIONAL VI, ADESA, ADCP II, ANALÍTICA, Fundação Maurício Grabois e com apoio do ISERJ/FAETEC.

A constituição das entidades acima para a realização do fórum tem como objetivo protagonizar os PROFESSORES de SOCIOLOGIA nos debates e políticas sobre o ensino de Sociologia na rede pública e privada de ensino médio e nas IES, Currículo, Livro Didático e outros.
No segundo dia do evento, serão organizados Grupos de Trabalho para elaborarem documentos sobre os seus respectivos temas, para aprovarmos na plenária final documento que reivindique o papel do professor de Sociologia numa nova política de ensino junto à SEEDUC, CEE/RJ, CNE e outros organismos que são responsáveis pelas deliberações das políticas de nossa área.
Contamos com a participação de todos os colegas e as inscrições podem ser feitas pelo e-mail forumsociologiarj@gmail.com . Por ocasião da inscrição, pedimos, por favor, informar o nome completo, telefone para contato e vínculo institucional.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A posição do SINDSERJ sobre as audiências públicas do CNE

Devemos nos mobilizar pelos conteúdos que a Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, há algum tempo, vem promovendo uma série de audiências públicas que visam abrir os debates para subsidiar a revisão e atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais para todas as etapas e modalidades da Educação Básica. Já foram editadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, para o Ensino Fundamental, para a Educação de Jovens e Adultos, para os Planos de Carreira e Remuneração do Magistério e dos Funcionários da Educação Básica, para a oferta de educação nos estabelecimentos prisionais, além de Diretrizes Nacionais Gerais para a Educação Básica.
Dando continuidade à programação, a Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação realizará audiências públicas sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, cujo processo de atualização deverá contar com a participação do Ministério da Educação e de várias entidades representativas dos sistemas de ensino, dos profissionais da educação, das instituições de formação de professores e de pesquisadores em educação.
Neste momento está sendo organizada pelo CNE audiência pública programada para acontecer amanhã, dia 4 de outubro, de 9h30, às 13h, no Auditório “Professor Anísio Teixeira”, que fica localizado no edifício sede do CNE, na Av. L2 Sul, Quadra 607, em Brasília.
Algumas entidades tem tido conhecimento e não divulgam, apesar de se representarem nas audiências. Mesmo assim, estaremos nos mobilizando para participar das futuras audiências, pois soubermos desta na semana passada, véspera de eleição, de forma a não sermos pegos depois das eleições com os pacotes fechados de resoluções, leis e portarias, com a devida anuência de entidades de nosso meio acadêmico, que costumam prosperar depois de eleições.
Contamos com a mobilização dos colegas para irmos às próximas audiências do CNE.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A profissão de Sociólogo

Presidente do Sindserj, Nilton Soares, defende, em carta na internet, a importância da profissão de Sociólogo. Leia o texto na íntegra.

A aventura sociológica ou talvez a imaginação sociológica, como diria C. Wright Mills, tem nas lutas sociais/sociedade o seu espaço tanto do ponto de vista de afirmação social/profissional e como objeto de estudos do sociólogo.

As reflexões e interdisciplinaridades são inerentes a nossa área profissional, não temos como pesquisar a sociedade reproduzindo uma forma de análise dogmática, se nos referirmos à antropologia na qual mais se identifica, Claude Lévi-Strauss, poderia pela sua abordagem, pelo seu pensamento, ser incluído tanto na filosofia, na psicanálise como em outras.

A "natureza" de nosso estudo é interdisciplinar por excelência e isto é o que melhor nos qualifica perante as outras áreas.

Mas por outro lado, a profissão não pode ser entendida da mesma forma que o conhecimento, se este é interdisciplinar, no mercado de trabalho, as coisas se passam de outra forma.

A proposta de profissões politécnicas poderia talvez se aproximar desta noção de interdisciplinaridade, como Gaudêncio Frigotto discute nas suas obras. O que ocorre nas áreas mais complexas do capital, o profissional altamente qualificado tem que ter uma abordagem interdisciplinar, mas em geral o que ainda predomina é um modelo fordista no mercado de trabalho.

Nos países centrais do capitalismo, não tem essa história do mérito sem ter uma qualificação confirmada. Se não fosse assim, Harvard e outras instituições não seriam mais necessárias, excluindo as áreas mais complexas, como mencionei acima.

A universidade cada vez mais tem sido ator central na questão da definição do mercado de trabalho, não é casual que tantas multinacionais investem em universidades privadas no Brasil, financeirizando este campo. A Estácio de Sá foi uma das pioneiras ao transformar a sua natureza jurídica para empresa de capital aberto. Hoje a família Uchoa que detinha o controle da instituição vendeu sua participação para estas multinacionais, como vêm ocorrendo com todas as outras. A universidade deixou de ser espaço dos bacharéis e doutores em filosofia, direito e medicina, ela é um dos atores fundamentais no capitalismo, onde a ciência e tecnologia se encontram. Não é mais possível fazê-las somente nas grandes corporações, como se fazia no recente passado na IBM, o capital precisa do Estado como parceiro para os altos investimentos necessários na área.

Assim, são elas, as multinacionais, com os seus lobbys nos Conselhos Estaduais de Educação, nas Secretarias de Educação, nas Alerjs do país, no Congresso e no MEC e até em sindicatos de professores, que vão moldar o mercado de trabalho a partir das universidades e neste sentido a precarização de nossa profissão segue esta lógica de concentração do capital.

Ao lutarmos pela nossa profissionalização, debate ainda distante de nossos cursos de ciências sociais e da universidade em geral, estamos num momento histórico do desenvolvimento do capitalismo, no qual a desregulamentação das profissões é uma das variáveis a ser enfrentada e superada neste capitalismo que nos engole.

Sem particularizarmos a nossa profissão, basta ver como os colegas professores vem sendo tratados na rede pública e privada de ensino, os policiais do nosso estado tem um salário inicial maior que os professores estaduais, sem nenhum curso superior como pré-requisito para ocupar a função de policial, como é exigido dos professores.

O estado e o capitalismo precisam de polícia para proteger a propriedade, mas não de professores, para os centros tecnológicos, basta investir nos centros de excelência e deixar a universidade das graduações no limbo, no lúmpem do sistema. Nas universidades públicas qual o incentivo para atuar nas graduações? Não é mera coincidência nelas se formarem os profissionais e os professores distantes nas suas pós, reforçando mais o sistema de exclusão dos graduados formados no mercado de trabalho.

Na agenda de nossa entidade pretendemos em outubro realizar evento para discutirmos a questão dos professores de Sociologia de nosso estado, mas considerando o caos em que se encontra a educação, qualquer abordagem específica tem que considerar este universo no qual os professores foram colocados no chamado "lúmpem" do mercado de trabalho.

Agora, a nossa discussão sobre a nossa profissão precisa superar a abordagem metafísica que nos colocamos, sairmos da "Fogueira das vaidades" que a nossa universidade pública se colocou ao se distanciar destas questões e deixar de lado também de "rotular" os atores e entidades que discutem a nossa profissão.

O colega fez uma boa análise de nossos cursos ao lembrar a invenção das Ciências Sociais pela ditadura e a sua proposta que o nossos cursos permitam que os alunos escolham qual a área de suas escolhas: sociologia, antropologia ou ciência política. Só que para se definir estas escolhas penso que a antropologia e a ciência política precisam também ser definidas como profissões, ou senão ficamos como estamos, elas se definem como áreas de conhecimento a partir das suas respectivas pós.

Do ponto de vista da ABA esta não é uma de suas preocupações, um químico com pós em antropologia pode ser um antropólogo na definição de critérios da ABA. Sugiro que os antropólogos repensem a sua questão profissional, o Sindserj estará contribuindo nesta discussão que entendemos ser necessária para discutirmos nossas profissões, afastando-nos finalmente do credo abstrato denominado Ciências Sociais. A nossa discussão pode se pautar em regulamentarmos a antropologia e a ciência política, como a Sociologia foi regulamentada, já que há uma demanda profissional nessas outras áreas.

São estas as minhas sugestões!

Abraços,

Nilton Soares de Souza