domingo, 15 de outubro de 2023

Outubro Rosa, Pela Vida das Mulheres!

 

    ·         Publicado por: José Medeiros  em www.ctbrj.org.br

·         Categorias: Notícias CTB Nacional, Notícias CTB-RJ

O Outubro Rosa é uma campanha de conscientização que ocorre anualmente durante o mês de outubro em todo o mundo. Seu objetivo principal é alertar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama, que afeta predominantemente as mulheres. A campanha também promove a importância do autocuidado, da realização regular de exames médicos, como a mamografia, e do acesso a informações sobre saúde da mulher.

A saúde da mulher trabalhadora é uma preocupação fundamental no contexto do Outubro Rosa e de forma geral na sociedade. As mulheres desempenham um papel crucial em diversos setores da economia, e garantir sua saúde é essencial não apenas para o bem-estar individual, mas também para a economia e o desenvolvimento social.

Alguns pontos importantes a serem considerados em relação à saúde da mulher trabalhadora durante o Outubro Rosa incluem:

·         Prevenção do câncer de mama: É fundamental que as mulheres tenham acesso a informações sobre como prevenir o câncer de mama, adotando hábitos saudáveis, como uma dieta balanceada e a prática regular de atividades físicas. Além disso, a conscientização sobre a importância da realização da mamografia a partir dos 40 anos (ou mais cedo em casos de histórico familiar) é essencial.

·         Ambientes de trabalho seguros: As empresas têm a responsabilidade de proporcionar ambientes de trabalho seguros e saudáveis para todas as funcionárias. Isso inclui a implementação de medidas de prevenção de doenças ocupacionais, bem como o apoio à saúde física e mental das trabalhadoras.

·         Licença médica e flexibilidade: Garantir que as mulheres tenham acesso a licenças médicas adequadas em casos de tratamento de câncer de mama é crucial. Além disso, oferecer flexibilidade no trabalho para acomodar as necessidades de saúde das mulheres é importante para que possam continuar a desempenhar suas funções de maneira eficaz.

·         Apoio psicológico: O diagnóstico de câncer de mama pode ser emocionalmente desafiador. Portanto, é importante que as trabalhadoras tenham acesso a apoio psicológico e emocional durante o tratamento e a recuperação.

·         Conscientização contínua: O Outubro Rosa não deve ser apenas um mês de conscientização, mas sim uma oportunidade para iniciar conversas sobre saúde da mulher que continuem ao longo do ano. Educar as trabalhadoras sobre a importância da saúde preventiva e do autocuidado é fundamental.

Portanto, o Outubro Rosa é uma oportunidade para destacar a importância da saúde da mulher trabalhadora, lembrando a sociedade e as empresas da necessidade de promover ambientes de trabalho seguros e saudáveis, bem como fornecer o apoio necessário para as mulheres em todas as etapas de sua jornada de saúde.

A LUTA CONTRA O CÂNCER DE MAMA NO BRASIL

A luta contra o câncer de mama no Brasil é uma causa de grande importância devido à prevalência desse tipo de câncer e seus impactos na saúde das mulheres. A doença é a que mais mata mulheres no Brasil e por isso tem uma atenção toda especial do sistema de saúde. Diversas iniciativas têm sido desenvolvidas ao longo dos anos para prevenir, diagnosticar e tratar o câncer de mama no país. Abaixo estão alguns aspectos relevantes dessa luta:

·         Programa Nacional de Controle do Câncer de Mama (PNCCM): O Ministério da Saúde do Brasil implementou o PNCCM para coordenar e orientar as ações de controle do câncer de mama em todo o país. Isso inclui a distribuição de mamografias, a conscientização pública e a capacitação de profissionais de saúde.

·         Campanha Outubro Rosa: Como mencionado anteriormente, o Brasil participa da campanha internacional Outubro Rosa, que visa aumentar a conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Durante esse mês, são realizadas diversas ações e eventos para promover a conscientização e a arrecadação de recursos.

·         Ampliação do acesso à mamografia: Nos últimos anos, houve um esforço significativo para expandir o acesso à mamografia no sistema de saúde brasileiro, permitindo que mais mulheres tenham acesso a exames de detecção precoce.

·         Tratamento de qualidade: O tratamento do câncer de mama no Brasil é realizado em hospitais e centros de referência especializados. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito, garantindo que todas as mulheres tenham acesso ao atendimento, independentemente de sua condição financeira.

·         Apoio psicossocial: Muitas organizações não governamentais e grupos de apoio atuam no Brasil para fornecer apoio psicossocial às mulheres diagnosticadas com câncer de mama e suas famílias. Isso inclui aconselhamento emocional, suporte financeiro e orientação sobre os desafios enfrentados durante o tratamento.

·         Pesquisa e inovação: O Brasil também investe em pesquisa científica e inovação no campo do câncer de mama. Instituições de pesquisa e universidades buscam avançar no conhecimento sobre o câncer de mama e desenvolver novas terapias e técnicas de detecção.

Apesar dos esforços significativos, o Brasil ainda enfrenta desafios na luta contra o câncer de mama, como a desigualdade no acesso à saúde em diferentes regiões do país e a necessidade de conscientização contínua. A prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz são essenciais para melhorar os resultados e a qualidade de vida das mulheres afetadas pelo câncer de mama no Brasil.

AVANÇOS E RETROCESSOS NA LUTA CONTRA O CANCER DE MAMA

O combate ao câncer de mama no Brasil tem visto avanços significativos, mas também enfrentou alguns retrocessos ao longo dos anos. Confira abaixo como o País tem atuado nessa área

Avanços no combate ao câncer de mama no Brasil:

·         Programas de Rastreamento: O Brasil implementou programas de rastreamento populacionais, como o Sistema Único de Saúde (SUS), que oferece mamografias gratuitas para mulheres a partir dos 40 anos. Esses programas têm aumentado a detecção precoce da doença.

·         Conscientização: O movimento Outubro Rosa tem crescido no Brasil, aumentando a conscientização sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado do câncer de mama.

·         Melhoria no Tratamento: Houve melhorias na qualidade do tratamento, com avanços em terapias, cirurgias, radioterapia e medicamentos, contribuindo para taxas de sobrevivência mais elevadas.

·         Leis e Direitos das Pacientes: A legislação brasileira tem avançado na proteção dos direitos das pacientes com câncer de mama, garantindo acesso ao tratamento, licenças médicas e apoio psicossocial.

Retrocessos no combate ao câncer de mama no Brasil:

·         Desigualdade no Acesso à Saúde: O Brasil ainda enfrenta desigualdades no acesso à saúde, com disparidades regionais e econômicas que impactam a capacidade das mulheres de acessar exames de mamografia e tratamento adequado.

·         Atrasos em Exames e Tratamento: Em algumas regiões, a demora no agendamento de exames de mamografia e no início do tratamento é um problema grave, o que pode afetar negativamente o prognóstico das pacientes.

·         Redução de Investimentos em Saúde: Em momentos de crise econômica, houve redução de investimentos na saúde pública, o que pode afetar a disponibilidade de recursos para o combate ao câncer de mama. O Teto de Gastos, criado pelo governo de Michel Temer, foi um grande agravante nesse sentido, reduzindo as verbas da saúde e impactando de forma direta na saúde das mulheres.

·         Impacto da Pandemia de COVID-19: A pandemia de COVID-19 atrasou exames de detecção, tratamentos e cirurgias e sobrecarregou o sistema de saúde, afetando negativamente o atendimento às pacientes com câncer de mama.

·         Falta de Conscientização sobre Estilos de Vida Saudáveis: Apesar dos esforços, ainda há falta de conscientização sobre a importância de estilos de vida saudáveis, incluindo dieta equilibrada e exercício físico, na prevenção do câncer de mama.

Em resumo, o Brasil tem feito progressos notáveis no combate ao câncer de mama, com programas de rastreamento, melhorias no tratamento e maior conscientização. No entanto, desafios persistem, incluindo a desigualdade no acesso à saúde e os impactos da pandemia. É fundamental continuar investindo na prevenção, detecção precoce e tratamento eficaz, bem como em esforços para reduzir as disparidades no acesso à saúde, a fim de melhorar os resultados para as pacientes com câncer de mama no país.

O RIO DE JANEIRO & O OUTUBRO ROSA

A saúde pública no estado do Rio de Janeiro enfrenta desafios significativos, incluindo o combate ao câncer de mama. Vamos analisar como a situação da saúde pública no Rio de Janeiro impacta o combate a essa doença:

Desafios na Saúde Pública do Rio de Janeiro:

·         Desigualdade Socioeconômica: O Rio de Janeiro é caracterizado por grandes desigualdades socioeconômicas. Essas disparidades afetam o acesso aos serviços de saúde e podem resultar em atrasos no diagnóstico e tratamento do câncer de mama para mulheres de baixa renda.

·         Superlotação e Infraestrutura Precária: Os hospitais públicos no Rio de Janeiro frequentemente sofrem com superlotação e infraestrutura inadequada, o que pode afetar a qualidade do atendimento às pacientes com câncer de mama.

·         Falta de Profissionais de Saúde: A escassez de profissionais de saúde, incluindo oncologistas e radiologistas, pode limitar a capacidade de realizar exames de diagnóstico e oferecer tratamento especializado de qualidade.

·         Demora em Exames e Tratamento: As pacientes muitas vezes enfrentam demoras na marcação de exames de mamografia e na realização de cirurgias, o que pode agravar o quadro clínico e reduzir as chances de cura.

Ações no Combate ao Câncer de Mama no Rio de Janeiro:

·         Campanhas de Conscientização: O estado do Rio de Janeiro participa das campanhas de conscientização do Outubro Rosa, promovendo a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama.

·         Centros de Referência: Existem centros de referência para o tratamento do câncer de mama no estado, que buscam oferecer atendimento especializado e de qualidade.

·         Programa de Mamografia Móvel: Em algumas regiões, são realizadas ações de mamografia móvel para facilitar o acesso a exames de detecção, especialmente em áreas de difícil acesso.

·         Treinamento de Profissionais de Saúde: O governo e instituições de saúde investem na formação e treinamento de profissionais de saúde, incluindo médicos e enfermeiros especializados em oncologia.

·         Rede de Apoio: Organizações da sociedade civil e grupos de apoio também desempenham um papel importante no apoio às pacientes com câncer de mama no Rio de Janeiro, oferecendo suporte psicossocial e orientação.

Em resumo, a saúde pública no Rio de Janeiro enfrenta desafios, mas também realiza esforços para combater o câncer de mama. A conscientização, o acesso a exames de detecção precoce, o tratamento de qualidade e o apoio às pacientes são elementos essenciais para melhorar a situação do câncer de mama no estado e garantir melhores resultados para as mulheres afetadas por essa doença.

ORIENTAÇÕES ÀS MULHERES PARA PREVENÇÃO AO CÂNCER DE MAMA

A prevenção do câncer de mama é fundamental para a saúde das mulheres. Aqui estão algumas orientações importantes que podem ajudar na redução do risco de desenvolver essa doença:

·         Autoexame das Mamas:

o    Faça o autoexame das mamas regularmente, preferencialmente uma vez por mês.

o    Faça-o alguns dias após o término da menstruação ou em um dia fixo do mês, caso não menstrue mais.

o    Observe qualquer alteração, como nódulos, inchaço, dor, ou mudanças na textura da pele ou mamilo.

o    Se notar algo diferente, consulte um médico imediatamente.

·         Mamografia:

o    Realize mamografias de acordo com as diretrizes médicas.

o    Geralmente, a mamografia de rastreamento é recomendada a partir dos 40 anos.

o    Se você tem histórico familiar de câncer de mama ou outros fatores de risco, converse com seu médico sobre a necessidade de começar mais cedo.

·         Alimentação Saudável 

o    Mantenha uma dieta equilibrada, rica em frutas, legumes, fibras e com baixo teor de gorduras saturadas.

o    Evite o consumo excessivo de álcool e limite a ingestão de alimentos processados e ricos em açúcar.

·         Atividade Física        

o    Pratique atividade física regularmente. O exercício ajuda a manter um peso saudável e reduz o risco de câncer de mama.

·         Peso Corporal:

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o    Mantenha um peso corporal saudável. A obesidade está associada a um maior risco de câncer de mama.

·         Evite o Tabagismo:

o    Se você fuma, procure ajuda para parar. O tabagismo está relacionado a diversos tipos de câncer, incluindo o de mama.

·         Amamentação:

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o    Se possível, amamente seu filho. A amamentação pode ajudar a reduzir o risco de câncer de mama.

·         Converse com Seu Médico 

o    Mantenha consultas de rotina com um médico ou ginecologista.

o    Discuta seu histórico familiar e outros fatores de risco com seu médico para criar um plano de prevenção personalizado.

·         Conscientização: 

o    Esteja ciente da importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama.

o    Participe de campanhas de conscientização, como o Outubro Rosa, e incentive outras mulheres a fazerem o mesmo.

·         Autoestima e Saúde Mental:

o    Cuide da sua saúde mental e emocional. O estresse crônico pode afetar a saúde de maneira geral, incluindo o risco de câncer.

Lembrando que cada mulher é única, e o risco de câncer de mama pode variar de acordo com fatores genéticos, histórico familiar e estilo de vida. Portanto, é fundamental conversar com um profissional de saúde para desenvolver uma estratégia de prevenção adequada ao seu perfil. A detecção precoce e a adoção de hábitos de vida saudáveis são passos importantes para reduzir o risco e promover a saúde das mulheres.

terça-feira, 10 de outubro de 2023

Brasil concentra 48% da sua riqueza na mão de 1% da população, diz estudo

 

Brasil concentra 48% da sua riqueza na mão de 1% da população, diz estudo         7 de outubro de 2023

·         Publicado por: José Medeiros

·         Categorias: Notícias CTB Nacional, Notícias CTB-RJ

 

https://ctbrj.org.br/wp-content/uploads/2023/10/Desigualdade-RJ.jpg

O Brasil é o país com maior concentração de riqueza do mundo, segundo estudo publicado no Relatório Global da Riqueza 2023, elaborado pelo banco suíço UBS. O relatório revela que, em 2022, cerca de 48% da riqueza se concentrou na mão de 1% da população.

O relatório analisou o patrimônio familiar de 5,4 bilhões de pessoas em todo o planeta. O estudo revela que a desigualdade no mundo teve leve queda em 2022. No ano analisado, a riqueza do 1% mais rico recuou para 44,5%, ante 45,6% em 2021.

Apesar do Brasil ter acompanhado a tendência de queda, o país segue com uma taxa vergonhosa: quase metade da riqueza do país (48,4%) está nas mãos de apenas 1% da população (em 2021, o 1% detinha 49,3%).

Ou seja, enquanto em todo o mundo o número de milionários teve queda de aproximadamente 6%, (eram 59,4 milhões em 2021 e 55,9 milhões em 2022), no Brasil, o número cresceu 41% (eram 293 mil em 2021 e 413 mil em 2022).

Parcela da riqueza detida pelos 1% mais ricos:

Brasil: 48,4%;

Índia: 41%;

Estados Unidos: 34,3%;

China: 31,1%;

Alemanha: 30%;

Coreia do Sul: 23,1%;

Itália: 23,1%;

Austrália: 21,7%;

França: 21,2%;

Reino Unido: 20,7%;

Japão: 18,8%.

O título de país com a maior concentração de renda do mundo deveria convencer a sociedade brasileira de que a segunda fase da Reforma Tributária precisa avançar na taxação das grandes riquezas.

Em setembro, na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um alerta sobre a fome e a desigualdade no mundo. “Reduzir as desigualdades dentro dos países requer incluir os pobres nos orçamentos nacionais e fazer os ricos pagarem impostos proporcionais ao seu patrimônio”, disse Lula.

Foi nesse intuito que no primeiro semestre o governo federal se empenhou em propor a Reforma Tributária, que teve sua primeira fase aprovada na Câmara dos Deputados, em julho deste ano.

O projeto, que tramita agora no Senado, reformula a tributação sobre o consumo no país, simplificando e unificando os três impostos federais (PIS, Cofins e IPI), que serão substituídos pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e os impostos estaduais e municipais (ICMS e ISS), que serão unificados pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

Se aprovado pelos senadores, o novo modelo de tributação dos impostos sobre o consumo pode garantir a sustentação para o crescimento econômico do país. No entanto, a mudança só corrigiria uma distorção que há muito tempo já deveria ter sido feita e que os legisladores postergaram por décadas.

A mudança mais urgente é a segunda fase da reforma tributária, que pode reverter a regressividade do imposto no Brasil. No Brasil, os pobres pagam, proporcionalmente à sua renda e ao seu patrimônio, muito mais impostos do que os ricos. Quanto menor o salário, proporcionalmente, maior é a carga tributária.

Com essa política tributária, apesar de indivíduos com rendas diferentes pagarem a mesma taxa embutida nos produtos consumidos, o peso no bolso de cada um deles é muito diferente.

A segunda fase da reforma tributária, por tanto, modificaria o imposto sobre a renda dos cidadãos, passando a taxar de forma mais significativa a distribuição dos lucros e dividendos.

Link: https://ctbrj.org.br/2023/10/07/brasil-concentra-48-da-sua-riqueza-na-mao-de-1-da-populacao-diz-estudo/


 

domingo, 1 de outubro de 2023

Governo do Estado Inaugura Centro de Referência em Saúde do Trabalhador Mas Não Põe Ninguém Para Trabalhar Lá

 Portal CTB/RJ: Publicado por: José MedeirosCategorias: Notícias CTB Nacional, Notícias CTB-RJ

A CISTT (Comissão Intersindical de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora) realizou na última terça-feira, dia 19, uma visita para avaliar as condições da nova unidade do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), inaugurada no dia 4 de setembro pelo então Secretário Estadual de Saúde Dr Luizinho, que seria exonerado do cargo para assumir sua vaga de deputado federal oito dias depois. Apesar da inauguração, os representantes da classe trabalhadora não encontraram a unidade funcionando.

O espaço fica localizado na Rua Silva Jardim, no centro do Rio de Janeiro e deveria ter à sua disposiçã uma equipe multiprofissional com médicos, dentistas, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e técnicos em segurança do trabalho. Até o momento, pelo que pode ser apurado, a unidade tem somente 1 enfermeira disponível, o que inviabiliza seu funcionamento.

O CEREST foi inaugurado com a promessa de ser um espaço de acolhimento a doenças relacionadas à atividade profissional, como lesão por esforço repetitivo (LER), problemas de saúde mental, tendinite, entre outras. Um local onde o trabalhador, após atendido, sairia encaminhado com data, hora e local para tratamento na atenção primária à saúde e foi classificado, na inauguração, pelo então Secretário de Saúde Dr. Luizinho como sendo “um avanço extraordinário em prol da saúde física e psicológica de todo trabalhador”. Infelizmente não existe avanço sem o funcionamento do equipamento.

A Secretária de Saúde do Trabalhador e Segurança no Trabalho da CTB-RJ, Dani Moretti, que atualmente preside a CISTT e o Conselho Estadual de Saúde, falou ao Portal CTB-RJ sobre a situação do CEREST após a visita:

“A CTB, como participante ativa do Conselho Estadual de Saúde, esteve no Centro de Referência de Saúde do Trabalhador do Estado do Rio de Janeiro junto com a CISTT e encontramos apenas salas vazias, papeis e textos sobre as mesas, quadros de agendas de reunião. Ou seja, todo um cenário feito para iludir quem lembrasse que este Centro foi reinaugurado há 15 dias. O que encontramos no CEREST é uma estrutura sem trabalhadores e com nenhuma previsão para começar a atender aos trabalhadores após uma inauguração que só fez iludir o trabalhador fluminense.”

Dani Moretti, em sua avaliação, criticou a inauguração e ausência de profissionais, fazendo um chamado ao movimento sindical para não deixar esse descaso com a saúde da classe trabalhadora cair no esquecimento:

“O Secretário de Saúde, que garantiu o nome na placa de inauguração, já foi para Brasília, os funcionários concursados tampouco aparecem. Não tem coordenação, nem perspectiva. Resta ao movimento sindical registrar os nomes e pressionar ,porque ano que vem é ano eleitoral! Nós da Saúde do Trabalhador, não aceitamos esse  desrespeito, estrutura que se inaugura, tem que funcionar. Ou então, inaugurou pra que? Qual interesse em inaugurar uma estrutura que não funciona e não atende a ninguém?”

Estimativas apontam que existem mais de R$ 3 milhões de repasses do governo federal para projetos do CEREST na área de saúde do trabalhador que encontram-se bloqueados pela ausência de projetos na área por parte do poder público do nosso estado, um enorme descaso com o trabalhador e a trabalhadora do Rio de Janeiro.

A Professora Fátima Sueli Neto Ribeiro, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e do Fórum Intersindical de Saúde do Trabalhador participou da visita e foi firme na avaliação do que encontrou ao entrar nas instalações do CEREST.

“Nós tivemos hoje aqui no CEREST, quinze dias depois da inauguração formal e já com o novo secretário de saúde e encontramos uma estrutura que ainda não funciona, está absolutamente vazia. Quinze dias depois de uma inauguração feita para virar notícia na imprensa e gerar imagens aos políticos, os trabalhadores  continuam sendo desrespeitados e não atendidos pela política pública do Estado, visto que para o Ministério da Saúde, que veio aqui na inauguração, a unidade já tá funcionando. Só que na verdade não está e vamos informar a sociedade inteira que o que aconteceu aqui foi uma informação pra inglês ver”

A dirigente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST) e do Sindicato dos Rodoviários, Ângela Maria Lourenço classificou a visita como péssima e também criticou a ausência de profissionais para atendimento aos trabalhadores e às trabalhadoras:

“A visita foi péssima! Nada está funcionando. A estrutura está muito bonita, as salas são ótimas mas a saúde do trabalhador não está sendo atendida nesse espaço pois ele ainda não está funcionando. Não tem médico, não tem enfermeira, tudo que encontramos foi uma uma recepcionista pra nos receber e auxiliar.”

O Sindicato dos Comerciários, entidade filiada à CTB-RJ, também teve uma representante na visita técnica e enviou seu profissional técnico de segurança do trabalho para auxiliar nos trabalhos junto com a diretora Nilza. Para ela, a visita foi uma grande decepção:

“Foi uma grande decepção o que encontramos aqui no Cerest! Viemos para colaborarmos com andamento das coisas e não encontramos ninguém! Só tinha uma recepcionista, as instalações não funcionam e não tem nenhuma previsão de quando irá começar a funcionar. É decepcionante, afinal de contas o espaço já foi inaugurado, deveria ter pessoas trabalhando aqui e atendendo aos trabalhadores e às trabalhadoras. Mas isso não acontece.”

Também dirigente do Sidicato dos Rodoviários e da NCST, William Porto endossou as críticas dos demais sindicalistas:

“Estamos aqui na depois da inauguração e nos foi prometido que esta repartição estaria funcionando. A estrutura está muito bonita, a gente sabe que existem funcionários concursados que poderiam estar trabalhando aqui, mas a realidade é que não tem ninguém trabalhando. Encontramos aqui apenas uma fachada. Nós queremos saber dos gestores onde estão os servidores que vão trabalhar no CEREST?”

O QUE É O CEREST?

O Centro de Referência em Saúde do Trabalhador – Cerest é um local de atendimento especializado em Saúde do Trabalhador. Além de atender diretamente o trabalhador, serve como uma fonte geradora de conhecimento, ou seja, tem condição de indicar se as doenças ou os sintomas das pessoas atendidas estão relacionados com as atividades que elas exercem, na região onde se encontram. Esses dados podem ser de extrema valia para as negociações feitas pelos sindicatos e também para a formulação de políticas públicas.

 

O que é:

• unidade regional especializada no atendimento à saúde do trabalhador;

• tem como modelo a Atenção Básica de Saúde;

• é vinculado à Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (Renast).

O que faz:

• presta assistência especializada aos trabalhadores acometidos por doenças e/ou agravos relacionados ao trabalho;

• realiza promoção, proteção, recuperação da saúde dos trabalhadores;

• investiga as condições do ambiente de trabalho utilizando dados epidemiológicos em conjunto com a Vigilância Sanitária.

Quem é atendido:

• trabalhador encaminhado pela Rede Básica de Saúde;

• trabalhador formal dos setores privados e públicos;

• trabalhador autônomo;

• trabalhador informal;

• trabalhador desempregado acometido de doença relacionada ao trabalho realizado.

Como é o atendimento:

Uma equipe de profissionais qualificados faz um diagnóstico do estado de saúde do usuário. Se for constatada a relação da doença com o trabalho, ele é atendido no ambulatório de saúde do trabalhador, caso contrário, é encaminhado a outros serviços da Rede SUS.

Histórico

A Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador, Renast, foi criada em 2002, por meio da Portaria no 1.679/GM, com o objetivo de disseminar ações de saúde do trabalhador, articuladas às demais redes do Sistema Único de Saúde, SUS. A Renast deve integrar a rede de serviços do SUS por meio de CEREST.

Cabe aos CEREST, no âmbito da RENAST:

Desempenhar as funções de suporte técnico, de educação permanente, de coordenação de projetos de promoção, vigilância e assistência à saúde dos trabalhadores, no âmbito da sua área de abrangência;- dar apoio matricial para o desenvolvimento das ações de saúde do trabalhador na atenção primária em saúde, nos serviços especializados e de urgência e emergência, bem como na promoção e vigilância nos diversos pontos de atenção da Rede de Atenção à Saúde

Atuar como centro articulador e organizador das ações intra e intersetoriais de saúde do trabalhador, assumindo a retaguarda técnica especializada para o conjunto de ações e serviços da rede SUS e se tornando pólo irradiador de ações e experiências de vigilância em saúde, de caráter sanitário e de base epidemiológica

Os CERESTs deem ser utilizados por todos os trabalhadores sejam eles, urbanos ou rurais, individuais ou coletivos, formais ou informais, ativos ou inativos com ou sem vínculos empregatícios, acometidos ou com suspeita de doença/acidente de trabalho.

Link: https://ctbrj.org.br/2023/09/21/governo-do-estado-inaugura-centro-de-referencia-em-saude-do-trabalhador-mas-nao-poe-ninguem-para-trabalhar-la/