segunda-feira, 2 de março de 2015

CLUBE DE ENGENHARIA LANÇA MANIFESTO EM DEFESA DO BRASIL

Ex-ministro alerta para golpe contra a Petrobras e contra os rumos da política brasileira



Entrevista de Roberto Amaral ao JB
O cientista político, ex-ministro da Ciência e Tecnologia e ex-presidente do PSB, Roberto Amaral, em evento em defesa da Petrobras nesta semana, chamou a atenção para o golpe já em curso neste país, não só contra a Petrobras, mas também contra a política adotada nos últimos anos. O país é controlado hoje pela maioria conservadora do Congresso em "conluio" com três famílias donas da imprensa nacional, para impedir avanços sociais, disse. A única saída seria a unidade do povo brasileiro.
"Eu já vivi bastante para ver muito, em tempos passados, o que nós estamos vivendo hoje. E eu não quero voltar a viver o que eu vivi nos anos 1950, nos anos 1960", disse o ex-ministro emocionado para a plateia do Clube de Engenharia, no lançamento do manifesto da Aliança pelo Brasil. "Marx diz, repetindo Hegel, que a história não se repete, mas que Hegel se esqueceu de dizer que ela se repete, sim. Uma vez como farsa, outra vez como tragédia."
Roberto Amaral acredita na importância de alertar trabalhadores e empresários
Amaral destacou que os golpes costumam se dar no legislativo, no judiciário, na sociedade, no encontro da "direita vituperina" com a "imprensa desonesta", antinacional. Para Amaral, o Brasil já sofreu um golpe, pois o país não está mais no Estado que a população brasileira elegeu. 
"A direita assumiu o poder, quem dirige hoje este país é o conluio da maioria conservadora do Congresso com a imprensa nacional, quem dirige hoje a política deste país não é o Palácio do Planalto, quem dirige são as três famílias donas da imprensa e o seu representante no Congresso, o Sr. Eduardo Cunha", destacou.
Para Amaral, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB/RJ) está no Congresso para impedir os avanços sociais, um papel que assumiu não "apenas por ser corrupto", mas porque é "competentíssimo" para fazer a política da direita e impedir os avanços sociais. 
"Ele está lá para representar o que há de atraso, de primitivismo fundamentalista-religioso, está lá fundamentalmente para impedir a reforma política. Há uma nova correlação de forças neste país e, desta correlação de forças, nós, o povo brasileiro, fomos afastados. Compete a nós nos conformarmos com este afastamento, ou não. Compete a nós reagir ou não. Compete a nós dizer se estamos dispostos a viver o novo 4 de agosto ou o novo 1º de abril", alertou.
A única possibilidade de reverter este quadro, acredita, é a unidade do povo brasileiro, é sair para as ruas, capitaneados por entidades como o Clube de Engenharia, conversar empresariado nacional, que sabe que vai ser esmagado, com os trabalhadores, que sabem que vão perder seus empregos, e com os estudantes, que sabem que vai voltar o arrocho. "Ou o sistema ouve a voz do povo, ou nós ficaremos cerceados por muitos anos."
"A campanha contra a Petrobras já atingiu a Petrobras, e já atingiu no fígado. A campanha tem esse objetivo, mas também tem um outro, mudar os rumos da política brasileira, revogando a decisão política que este povo tomou no segundo turno das eleições, está ao esforço de desestabilizar a economia, de desestabilizar a ordem, desestabilizar o governo, desestabilizar a política, destruir a política", destacou, levantando ainda que para ele não importa quem assuma o Palácio do Planalto, mas, sim, que a política seja ditada por quem assumir, e não por forças externas. 
FONTE: JB online
Link: http://www.jb.com.br/

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Reforma curricular do ensino médio: legalização da dualidade e liquidação do direito à educação básica



                                                            Artigo de   Gaudêncio Frigotto[1]

            Ao longo da década de 1980, nas disputas em torno da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), um dos temas mais debatidos foi o da educação básica como um direito social e subjetivo. Trata-se de um pré-requisito à possibilidade da conquista da dupla cidadania para as gerações de jovens que se sucedem.  
            A cidadania política que se expressa pela crescente inserção e participação ativa na vida social e cultural e que pressupõe fundamentos éticos, sociológicos, econômicos e culturais.  A cidadania econômica, relacionada à política, se expressa pelo preparo do jovem na sua inserção no mundo do trabalho e a sua paulatina autonomia financeira quando atinge a vida adulta. Aliados aos fundamentos acima, a inserção no trabalho implica o domínio das bases científicas e técnicas que operam nos processos produtivos das várias atividades econômicas. Para que seja uma formação básica, demanda a integração destas duas dimensões. Antônio Gramsci definia esta dupla função da escola unitária como o domínio de como funciona a sociedade dos homens e o mundo dos processos naturais, físicos, químicos, biológicos etc.
        Nas sociedades onde se efetivou a forma clássica das revoluções burguesas, mesmo que de forma dual por ser o capitalismo uma sociedade de classes desiguais, os jovens tiveram direito a esta base. Os reflexos na vida social, cultural, político-jurídica e econômica desta base mais universal dada às gerações de jovens que se sucederam foram e são inequívocos.
       O Brasil, por diferentes razões, até o presente, nega esta base de educação, a 90% de seus jovens. Nossa história foi marcada por dois estigmas que forjaram uma das classes burguesas mais violentas e que produziram e produzem uma das sociedades mais desiguais do mundo: o estigma da colonização e da escravidão. Diferente das burguesias clássicas que se empenharam em construir a nação e efetivaram reformas de base, a burguesia brasileira sempre rifou a nação associando-se de forma subordinada aos centros hegemônicos do sistema capitalista, buscando o interesse próprio.
         O resultado histórico é o oposto das revoluções burguesas clássicas que, mesmo sendo sociedades capitalistas, fizeram reformas de base e uma melhor repartição da riqueza e da renda e, consequentemente, menos desigualdade e acesso ao direito à educação, saúde, cultura etc. No Brasil, as reformas de base – agrária, tributária, política, jurídica – sempre foram proteladas e quando disputadas armaram-se golpes e ditaduras, com a ideia que isto seria a implantação do comunismo.  Constitui-se uma sociedade ímpar que, como mostra o sociólogo Francisco de Oliveira, produz a miséria e se alimenta dela. Uma sociedade desigualitária sem remissão (Oliveira, 2003, p. 150)[2]
O ensino médio, como educação básica de fato, como possibilidade de construção de dupla cidadania, não é parte econômica, política e cultural deste projeto societário. O estigma colonizador e escravocrata da classe dominante cultiva uma visão fragmentária, adestradora de educação básica para os filhos da classe trabalhadora. As denominações de ensino secundário, de segundo grau e, atualmente, ensino médio têm por trás as várias reformas e reforma das reformas.
 A definição na atual LDB do ensino médio como a etapa final da educação básica abriu o espaço para a disputa da escola unitária, em contraste à dualidade e da educação politécnica como, todavia, em particular ao longo dos oito anos de governo de Fernando Henrique contraponto à visão adestradora e fragmentária da formação humana.  Na década de 1990, Cardoso e de seu Ministro da Educação Paulo Renato de Souza, sob o ideário neoliberal, reintroduziu-se a dualidade mediante o Decreto 2.208\96.  Estabelece-se uma dicotomia entre formação geral e específica, formação técnica e política.
Nos primeiros anos do governo Luiz Inácio Lula da Silva, conseguiu-se revogar o Decreto 2208\96, substituindo-o pelo Decreto 5.154\2004 que possibilita o ensino médio integrado, tendo como base a ciência, o trabalho e a cultura.   Uma meia conquista, pois não sendo obrigatório o retorno ao ensino médio integrado efetivamente dependia do empenho político do governo, da adesão dos estados da federação e da pressão das forças sociais, que ao longo das décadas de 1980 e 1990, lutaram pela escola unitária e a formação politécnica. O governo não apenas não se empenhou como, por suas opções de alianças, fragmentou e dispersou o campo da esquerda. A maioria dos Estados, por razões políticas e\ou financeiras, não mostrou interesse pelo Integrado.  
  O campo ficou aberto para que as forças dos grandes grupos empresariais dos setores industrial, financeiro, agrícola e das corporações da mídia se organizassem ao redor do slogan cínico de Todos pela Educação. Mediante seus institutos privados e quadros de intelectuais, foram tomando e orientando, por dentro do Estado, em todos os níveis (federal, estadual e municipal), no conteúdo, no método e na forma, a educação, especialmente a básica, que convém ao mercado.  
            O projeto de reformulação curricular do ensino médio elaborado pelos representantes, no Congresso Nacional, das forças conservadoras do Todos pela Educação, e que conta com o apoio explícito do atual Ministro da Educação, é uma afronta à LDB e a liquidação do ensino médio, como educação básica.  Com efeito, ao fragmentar o ensino médio, com argumentos do senso comum, em diferentes e excludentes percursos, de acordo com grandes áreas do conhecimento, separa o que é unitário, ainda que diverso – mundo dos homens e da natureza - e retrocede anacronicamente ao que era este nível de ensino antes da Lei nº 1.821 de março de 1953, que define o regime de equivalência entre os diversos cursos de grau médio.


          Um retrocesso que agride e mutila tanto o direito à construção da emancipação e autonomia política e humana, quanto a preparação para o mundo da produção das próximas gerações. Isto resulta da estreiteza humana, miopia social, política e cultural da classe dominante brasileira.
O tempo presente nos interpela para que, como educadores, professores, militantes de movimentos sociais e populares e do sindicalismo combativo, assumamos na unidade possível, mas muito além da presente, uma dupla tarefa: a de lutar sem tréguas para transformar o monstrengo social que mutila a vida da maioria dos brasileiros e que interdita o futuro de milhões de jovens de seus direitos elementares;  e a de construir uma agenda coletiva de embate para manter o ensino médio, efetivamente, como educação básica e com condições objetivas para o trabalho docente e demais trabalhadores da educação.



[1] . Doutor em educação e professor do programa de Pós Graduação em Políticas Púbicas e Formação Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
[2].  Para um entendimento aprofundado de nossa  especificidade histórica ver: OLIVEIRA, Francisco de. Crítica à Razão Dualista.. O ornitorrinco. São Paulo, Boitempo,  2003

*Publicado no Jornal do Professor, janeiro/fevereiro de 2015, página 2 - Sinpro-Rio

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

MOVIMENTOS SOCIAIS CONDENAM AGRESSÃO À PRESIDENTE DA UEES-RJ



Movimentos Sociais se unem em solidariedade ao estudante agredido em ato contra o aumento das tarifas da passagem de ônibus na cidade de Petrópolis.

AGREDIRAM UM ESTUDANTE PODIA SER SEU FILHO!
Nota de Repudio da União Estadual dos Estudantes Secundaristas contra as atitudes violenta e repressiva cometida por funcionários do governo Municipal de Petrópolis aos manifestantes que na última semana participavam de um ato em defesa do transporte público de qualidade e contra o aumento das passagens.
Na segunda-feira (12/04), manifestantes de diversos movimentos sociais participaram do IV Ato contra o aumento das passagens na cidade de Petrópolis. O ato foi puxado pela Frente de Luta pelo Transporte Público de qualidade tendo como objetivo ocupar a reunião do Conselho Municipal das Cidades na sede da Setrac (Secretaria de Trabalho, Assistência Social e Cidadania da Cidade de Petrópolis), presidido pelo Prefeito Rubens Bontempo.
Os manifestantes que partiram da Praça Dom Pedro, (Centro de Petrópolis) e se dirigiram à sede da SETRAC. Ao chegarem ao local foram surpreendidos por funcionários que alegavam que não permitiram a participação dos mesmos. Dentre as pautas levantadas pelo movimento estariam a redução das tarifas aos fins de semana; fim da dupla função motorista/cobrador e revogação imediata do aumento das passagens.
A proibição da participação da Frente de Luta na reunião resultou em muita confusão e na fraturação do braço do presidente da UEES, que precisou ser levado ao Hospital Santa Tereza, já que o atendimento no local foi negado por parte do Governo Municipal.
Essa tragédia reforça mais ainda a necessidade de uma Reforma Política que torne os espaços públicos cada vez mais participativos. Houve um tempo no Brasil que muitas vozes que lutaram foram silenciadas, não se pode permitir que atitudes como essa aconteçam e que sejam “abafadas” por setores midiáticos que tentam distorcer os reais fatos e vitimizar os empresários do transporte mais uma vez.
Repudiamos a postura do Governo Municipal de não dialogar com a sociedade civil e de negar socorro no local ao presidente da UEES, Luiz Felipe.
Nós, do movimento estudantil, não nos intimidaremos e reforçamos as manifestações na rua em defesa de uma participação mais efetiva da sociedade civil no poder público e de um transporte público que seja digno aos cidadãos petropolitanos, cariocas e brasileiros.
Agradecemos todas as manifestações de apoio prestadas à UEES e ao nosso presidente. Vamos às ruas barrar o aumento das passagens! Avante!
Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – Rio de Janeiro
DCE UFRRJ
Federação dos Estudantes de Campos
Movimento Fora da Ordem – MPT
Movimento Kizomba
Movimento Multirão – JPL
Movimento Reinventar – Juventude Socialista PDT
Movimento Saudações a quem tem Coragem
Movimento Um passo a Frente – Juventude Socialista Brasileira JSB
Partido dos Trabalhadores de Petrópolis – PT
União Brasileira de Mulheres – UBM
União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – UBES
União Estadual dos Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro – UEES
União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro – UEE
União Mageense dos Estudantes Secundaristas – UMES
União da Juventude Socialista – UJS
SINDSERJ – Sindicato dos Sociólogos do Estado do Rio de Janeiro