segunda-feira, 1 de julho de 2013

Movimentos e partidos aprovam 11 de julho como Dia Nacional de Paralisação

As 77 organizações de movimentos sociais e partidos de esquerda reunidos na noite de terça-feira (25), aprovaram o 11 de julho como Dia Nacional de Paralisação e Luta da Classe Trabalhadora. A data foi proposta pelas centrais sindicais, quando realizarão paralisações em todo país.


Encontro no sindicato dos Químicos reuniu representantes de 77 organizações

Também aprovou-se uma plataforma política unificada que inclui as reformas política (com plebiscito), urbana e da mídia, além de temas relacionados aos direitos humanos, como o fim do genocídio da juventude negra.

Durante a abertura do encontro, realizado no Sindicato dos Químicos de São Paulo, no bairro da Liberdade, em São Paulo, João Paulo Rodrigues, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que mediou o encontro, passou o informe sobre os nove pontos acordados na reunião das centrais, ocorrida na manhã de terça: “A data aparentemente parece distante, no entanto, as centrais justificaram que é preciso tempo para mobilizar as bases dos trabalhadores nas fábricas. Os dirigentes lembraram que os operários não se mobilizam pelo Facebook. Então a proposta deste encontro é envolver também os camponeses, os indígenas e toda a classe trabalhadora representada aqui pelas organizações”, disse João Paulo.

A partir da apresentação da plataforma aprovada pelos dirigentes sindicais das oito centrais, militantes de 25 organizações se posicionaram e acrescentaram sugestões. Ao final, as organizações aprovaram oito propostas, divididas em dois blocos. O primeiro bloco reúne as reformas, incluindo a democratização dos meios de comunicação, tema apontado em todas as falas das organizações.

“A gente quer reforçar a proposta sobre a reforma urbana que inclui educação, transporte e saneamento. Outro tema urgente que tem sido instrumento de manipulação das massas pela burguesia, é a luta pelo marco regulatório da mídia, que criminaliza os movimentos sociais”, enfatizou Antonio Pedro de Souza, o Tonhão da Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam), que também sinalizou a importância da negociação da dívida pública das cidades com a União para que as reivindicações das ruas possam ser atendidas.

Já o segundo bloco reúne os denúncias que se referem aos direitos humanos e ao avanço das ideias conservadoras no Congresso Nacional. No segundo bloco, estão os pontos que abordam os direitos humanos: contra o genocídio da população negra e dos indígenas; contra o Estatuto do Nascituro e a proposta de cura gay; contra a repressão e criminalização das lutas dos movimentos sociais; contra a redução da maioridade penal e pela punição dos torturadores da ditadura militar. Somadas às das centrais, resultam em 11 temas unificados.

Os pontos unificados pelas centrais, apresentados à presidenta Dilma durante o encontro em Brasília, nesta quarta (26), são: fim do fator previdenciário; 10% do PIB para a Saúde; 10% do PIB para a Educação; redução da Jornada de Trabalho para 40h semanais, sem redução de salários; valorização das Aposentadorias; transporte público e de qualidade; reforma agrária; mudanças nos Leilões de Petróleo e rechaço ao PL 4330, sobre terceirização.

“Fora isso, temos 31 orientações políticas ditas aqui, como a questão da privatização do setor energético, então vamos considerá-la no ítem contra os leilões do petróleo, mas dificilmente teremos como debater isso agora”, observou João Paulo ao final do encontro, que terminou por volta das 22 horas. Um novo encontro ficou marcado para o dia 2 de julho, no mesmo horário (19h) e local, quando será tratada a mobilização e a natureza das lutas para o 11 de julho. “Será uma jornada nacional e, portanto, é importante nos reunirmos para tratar detalhes e não corrermos o risco de fazer um ato que não vai acumular força na luta”, reforçou o líder do MST.

Para Luiz Gonzaga, o Gegê, da Central dos Movimentos Populares (CMP), a luta da classe trabalhadora e do novo proletariado passa por “outro viés”. “A CMP, que se reuniu no final de semana, defende a convocação de plebiscitos e referendos como instrumentos de fortalecimento da democracia, bem como o fortalecimento da participação popular em conselhos com caráter efetivo de deliberação e não indicativo; o financiamento público das campanhas eleitorais, a reforma urbana e defesa da função social da propriedade, zerar o déficit habitacional e aplicação imediata de IPTU progressivo”, destacou Gegê durante sua fala. O representante da CMP também mencionou a luta pelos 100% dos recursos dos royalties do pré-sal para a educação, os 10% do PIB para a saúde pública e as reformas agrária e urbana que sem isso “seremos um país direcionado ao fim pela miséria total”.

Juventude

O vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Mitã Chalfun, contou aos presentes que a entidade, reunida no domingo (24), elegeu cinco pontos prioritários de sua luta, que serão levados para a mobilização de quinta (27) e apresentados para a presidenta Dilma durante reunião agendada com a juventude, na sexta (28): 10% do PIB para a educação e 100% dos royalties do petróleo; contra o Estatuto do Nascituro e contra a cura gay; pela democratização das mídias; pela reforma política e pelo passe livre estudantil.

Enquanto a reunião ocorria, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 5.500/2013 que destina 75% dos royalties do petróleo para a educação e os 25% restantes para a área da saúde na madrugada desta quarta-feira (26). “A UNE faz mais um golaço! Sob pressão das lutas estudantis, Câmara dos Deputados acaba de aprovar a destinação de 50% do Fundo Social do Pré-sal para educação pública e 75% dos royalties do petróleo para educação e 25% para saúde! Esta proposta do Fundo Social foi elaborada pela UNE, ganhou força nas nossas lutas e hoje se tornou uma grande vitória! Viva a luta dos estudantes brasileiros”, comemorou a presidenta da UNE, Virgínia Barros, a Vic, nas redes sociais. Vic acompanhou a votação na capita federal e agradeceu a todas as entidades do setor que foram “fundamentais para a conquista”, além de “deixar um abraço fraterno para Augusto Chagas e Daniel Iliescu, ex-presidentes da UNE que abriram as portas desta luta e tornaram esta vitória possível”.

A estudante de geografia Mayara Vivian, uma das representantes do Movimento Passe Livre (MPL), esteve no encontro de terça-feira à noite para se somar às forças da esquerda. “A gente sempre deu uma orientação política de que quanto mais iniciativas de esquerda melhor. Não precisamos centralizar num único espaço para estar junto. Na medida do possível a gente vai acompanhando. E hoje estamos aqui para nos somar”, disse ao Vermelho, instantes antes de iniciar sua fala aos presentes, quando contou como foi o encontro com a presidenta da República.

“A presidenta insistiu na qualidade do transporte, mas não adianta ter estrutura se o povo não tem dinheiro para pagar. Esperávamos medidas mais concretas. Estamos aguardando, agora, o posicionamento dos governos estaduais e municipais encaminhem para a tarifa zero, que significa também o controle social do sistema de transporte público. Sendo privado ou estatal, o importante é que os usuários do sistema decidam sobre seu funcionamento, os trajetos das linhas, o transporte não deve ser mercadoria e estar a serviço de meia dúzia que lucram”, declarou Mayara.

Unidade

Jamil Murad, presidente do Diretório Municipal do PCdoB de São Paulo, lembrou que foi graças à unidade da esquerda e o esclarecimento da população, somados à busca de alternativas para sanar as deficiências sociais que levaram o país a políticas mais progressistas.

“Agora, devemos levar os trabalhadores para a rua, que se tornarão uma força invencível juntamente com a juventude. A unidade das centrais é uma vitória. Devemos abraçar a jornada do dia 11 e saudar a nossa presidenta eleita que recebeu e ainda está recebendo todos os movimentos. Com essa força, essas conquistas, determinação, ânimo, unidade, vamos fazer as transformações para elevar o povo brasileiro a um patamar muito superior. Parabéns! Unidade! Luta! Dia 11! Vamos para a paralisação, vamos para a luta, vamos para a vitória”, exclamou o comunista aos presentes.

Em entrevista ao Vermelho, Rogério Nunes, da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), também frisou a construção da mobilização para o dia 11: “A construção do dia 11 será um grande momento para a rearticulação dos movimentos sociais. A reforma política e o plebiscito são pontos centrais, inclusive, percebemos na reação imediata de setores reacionários conservadores, expressos na mídia monopolista, que estamos na direção certa, uma vez que eles são contra. Então cabe aos movimentos sociais apoiar e fortalecer a proposta de plebiscito”, afirmou.

Também estiveram presentes na reunião representantes da União da Juventude Socialista (UJS), da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), do Levante Popular da Juventude, da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e dos partidos PT, PCdoB, PSTU, Psol, PCO, PCB, PSB e PPL.


Centrais sindicais fazem paralisação conjunta no dia 11 de julho

CLAUDIA ROLLI
DA FOLHA DE SÃO PAULO

Em reunião na manhã do dia 25/6, terça-feira, as centrais sindicais definiram o dia 11 de julho como data para os protestos e as paralisações que farão em todo o país.

"Será um dia nacional de luta com greves, manifestações, passeatas em pontos de grande concentração em todos os Estados", disse o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. "Vamos parar contra a inflação e para pedir também mudanças na política econômica do governo."

Conforme a Folha antecipou na edição desta terça-feira, inicialmente cinco centrais sindicais decidiram realizar os atos para pedir a retomada das negociações da pauta dos trabalhadores, aproveitando a onda de protestos que vêm pedindo qualidade no transporte público e contrários ao aumento das tarifas.

Na pauta das centrais estão o fim do fator previdenciário, a redução da jornada de trabalho para 40 horas e combater o projeto de lei que permite ampliar a terceirização - interpretado como uma forma de precarizar as relações do trabalho.

Também estão em discussão dois outros pontos: o direito de greve dos servidores e o fim das demissões imotivadas para diminuir a rotatividade de empregos. Essas duas últimas reivindicações se referem às convenções da OIT (Organização Internacional do Trabalho) 151 e 158.

A reunião durou cerca de duas horas e participaram dirigentes de cinco centrais reconhecidas pelo governo - Força, CUT, UGT, CTB e Nova Central-, além de CSP-Conlutas, CSB e CGTB. As três últimas não atingiram os critérios de representatividade do governo (regra exigida para dividir o imposto sindical obrigatório), mas participam de ações em conjunto no movimento sindical.

As centrais querem mais recursos em educação, saúde, transporte e segurança, além de reajuste das aposentadorias e debater com o governo federal a reforma agrária.

Apesar de inicialmente não haver consenso em incluir o combate à inflação como tema da pauta do protesto do dia 11, ela vai constar da manifestação.

Na próxima sexta-feira (dia 28), cada central deve sugerir locais de concentração em cada Estado para reunir os trabalhadores e que categorias que podem parar.

Segundo Ricardo Patah, presidente da UGT, as bandeiras levantadas pelos estudantes nas últimas manifestações são defendidas "há muito tempo pelas centrais e pelos movimentos sociais, mas por falta de diálogo com o governo não foi possível avançar nessas conquistas". Ele também afirmou que o movimento "espontâneo" das ruas "reflete o sentimento comum de toda a sociedade".

Antonio Neto, que comanda a CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), tem a mesma opinião. O sindicalista diz que, apesar de o governo ter desonerado da folha de pagamento, ter cortado o custo de energia elétrica e ter acabado com a CPMF, "ninguém aguenta mais". "A classe média tem tratamento pior nos planos que paga do que o do SUS. O transporte é de má qualidade. Por isso as pessoas estão se mobilizando, indo para a rua. É uma basta geral, vindo das ruas."

José Maria de Almeida, da CSP-Conlutas, afirma que as manifestações que estão marcadas para quarta (dia 26) e quinta-feira (27) em regiões em que os sindicatos de trabalhadores são ligados à central, caso dos metalúrgicos de São José dos Campos (interior de SP), estão mantidas. "É uma preparação para esquentar os motores para o dia 11."

MOVIMENTOS DISTINTOS

As manifestações das centrais não são vinculadas à greve geral que está sendo marcada pelas redes sociais para o dia 1º de julho. As entidades sindicais ressaltam que não há qualquer ligação de seus protestos com atos como os que estão sendo divulgados nas redes sociais.

Em nota em seu site, a CUT informa que "as centrais sindicais, legítimas representantes da classe trabalhadora, não convocaram greve geral para o dia 1º de julho". E ressalta que a convocação para uma "suposta greve geral, que surgiu em uma página anônima do Facebook, é mais uma iniciativa de grupos oportunistas, sem compromisso com os trabalhadores, que querem confundir e gerar insegurança na população". E "colocar em risco conquistas que lutamos muito para conseguir, como o direito de livre manifestação".

PARALISAÇÃO DAS CENTRAIS

Quando: 11 de julho

Onde: em todo o país

O que farão: greves, paralisações e protestos de rua em todos os Estados

Quem organiza: cinco centrais que atingiram critérios de representatividade do governo - CUT, Força Sindical, CTB, UGT, Nova Central - e as que ainda não atingiram - CSP -Conlutas, CSB (Central Sindical Brasileira) e CGTB, além de movimentos sociais como o MST

Quem deve participar: metalúrgicos, químicos, comerciários, rurais, trabalhadores da alimentação, operários da construção civil, costureiras, empregados do setor de asseio e conservação, padeiros, motoboys, servidores, entre outros.

O que será tema do encontro com a presidente Dilma Rousseff:

- fim do fator previdenciário

- contra o projeto de Lei 4.330, que amplia a terceirização

- redução da jornada para 40 horas semanais sem redução de salário

- reajuste das aposentadorias

- fim dos leilões de reservas de petróleo

- redução de tarifa e transporte coletivo de qualidade

- mais investimentos em saúde, educação e segurança

- reforma agrária

Fonte: centrais sindicais

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/06/1300949-centrais-sindicais-fazem-paralizacao-conjunta-no-dia-11-de-julho.shtml

John Pilger: A ascensão de um novo fascismo

No seu livro, “Propaganda”, publicado em 1928, Edward Bernays escreveu: “A manipulação consciente e inteligente dos hábitos organizados e das opiniões das massas é um elemento importante na sociedade democrática. Aqueles que manipulam este mecanismo que não se vê da sociedade constituem um governo invisível, o qual é o verdadeiro poder dominante no nosso país”.

Por John Pilger em Counterpunch

Bernays, o sobrinho americano de Sigmund Freud, inventou a expressão “relações públicas” como um eufemismo para propaganda de Estado. Ele advertiu que uma ameaça permanente ao governo invisível era os que dizem a verdade e um público esclarecido.

Em 1971, Daniel Ellsberg trouxe a público os fichários do governo estadunidense conhecidos como “The Pentagon Papers”, revelando que a invasão do Vietnã fora baseada numa mentira sistemática. Quatro anos depois, Frank Church dirigiu audiências sensacionais no Senado dos EUA, um dos últimos lampejos da democracia americana. Estas puseram a nu a plena extensão do governo invisível: a espionagem e subversão internas e a provocação de guerra pelas agências de inteligência e “segurança”, bem como o apoio que recebiam do big business e da mídia, tanto conservadores como liberais.

Ao referir-se à Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), o senador Church afirmou: “Sei que há capacidade para instaurar a tirania na América e devemos verificar se esta agência e todas as agências que possuem esta tecnologia operam dentro da lei… de modo que nunca cruzemos esse abismo. Trata-se do abismo do qual não há retorno”.

Em 11 de Junho de 2013, a seguir às revelações no “Guardian” de Edward Snowden, contratado pela NSA, Daniel Ellsberg escreveu que os EUA agora caíram dentro “daquele abismo”.

A revelação de Snowden, de que Washington utilizou o Google, o Facebook, a Apple e outros gigantes da tecnologia para espionar quase toda a gente, é uma nova evidência da forma moderna de fascismo – esse é o “abismo”. Tendo nutrido fascistas tradicionais por todo o mundo – desde a América Latina à África e à Indonésia – o gênio libertou-se e voltou para casa. Entender isto é tão importante quanto entender o abuso criminoso da tecnologia.

Fred Branfman, que revelou a destruição “secreta” do pequeno Laos pela US Air Force nas décadas de 1960 e 70, proporciona uma resposta àqueles que ainda se admiram como um presidente afro-americano, um professor de direito constitucional, pode comandar tamanha ilegalidade. “Sob o sr. Obama”, escreveu ele, “nenhum presidente fez mais para criar a infraestrutura para um possível futuro Estado policial”. Por quê? Porque Obama, tal como George W. Bush, entende que o seu papel não é satisfazer aqueles que nele votaram mas sim expandir “a mais poderosa instituição da história do mundo, uma instituição que matou, feriu ou privou do lar bem mais de 20 milhões de seres humanos, principalmente civis, desde 1962″.

No novo ciber-poder americano, só as portas giratórias mudaram. O diretor da Google Ideas, Jared Cohen, era conselheiro de Condoleeza Rice, a antiga secretária de Estado na administração Bush que mentiu quando disse que Saddam Hussein podia atacar os EUA com armas nucleares. Cohen e o presidente executivo da Google, Eric Schmidt –encontraram-se nas ruínas do Iraque – escreveram um livro em coautoria, “The New Digital Age”, apresentado como visionário pelo antigo diretor da CIA, Michael Hayden, e pelos criminosos de guerra Henry Kissinger e Tony Blair. Os autores não mencionam o programa de espionagem Prism, revelado por Edward Snowden, que proporciona à NSA acesso a todos nós que utilizamos o Google.

Controle e domínio são as duas palavras que dão o sentido disto. São exercidos através de planos políticos, econômicos e militares, entre os quais a vigilância em massa é uma parte essencial, mas também pela propaganda insinuante na consciência pública. Este era o ponto de Edward Bernay. As suas duas campanhas de Relações Públicas com mais êxito foram convencer os americanos de que deveriam ir à guerra em 1917 e persuadir as mulheres a fumarem em público; os cigarros eram “archotes da liberdade” que acelerariam a libertação da mulher.

É na cultura popular que o “ideal” fraudulento da América como moralmente superior, como “líder do mundo livre”, tem sido mais eficaz. Mas, mesmo durante os períodos mais patrioteiros de Hollywood houve filmes excepcionais, como aqueles de Stanley Kubrick no exílio e audaciosos filmes europeus que encontravam distribuidores nos EUA. Nestes dias, não há Kubrick, nem Strangelove e o mercado estadunidense está quase fechado a filmes estrangeiros.

Quando apresentei meu filme, “A guerra à democracia” (“The War on Democracy”), a um grande distribuidor dos EUA de mentalidade liberal, recebi uma lista de mudanças exigidas para “assegurar que o filme fosse aceitável”. A sua inesquecível cedência para mim foi: “OK, talvez pudéssemos deixar Sean Penn como narrador. Isso o satisfaria?” Ultimamente, o filme de apologia da tortura “Zero Dark Thirty”, de Katherine Bigelow, e “We Steal Secrets”, um trabalho de machadinha contra Julian Assange, foram feitos com o apoio generoso da Universal Studios, cuja companhia-mãe até recentemente era a General Electric. A GE fabrica armas, componentes para aviões-caça e tecnologia avançada de vigilância. A companhia também tem interesses lucrativos no Iraque “libertado”.

O poder dos que contam verdades, como Bradley Manning, Julian Assange e Edward Snowden, é que eles refutam toda uma mitologia construída cuidadosamente pelo cinema corporativo, pela academia corporativa e pela mídia corporativa. A WikiLeaks é especialmente perigosa porque proporciona aos que contam a verdade um meio para a pôr cá fora. Isto foi conseguido em “Collateral Murder”, o vídeo filmado a partir da cabine de um helicóptero Apache dos EUA que alegadamente foi revelado por Bradley Manning. O impacto deste único vídeo marcou Manning e Assange para a vingança do Estado. Ali estavam pilotos dos EUA a assassinar jornalistas e mutilar crianças numa rua de Bagdá a divertirem-se claramente com isso e a descrever a sua atrocidade como “linda”. Mas, num sentido vital, eles não escaparam sem punição; somos agora testemunhas e o que resta é para nos tramar.

Fonte:
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=217367&id_secao=9

domingo, 23 de junho de 2013

Líderes de atos contra a ditadura avaliam luta atual

Antigos presos políticos, Cid Benjamin e Vladimir Palmeira não criticam fato de movimento ser apartidário, mas repudiam hostilidade a bandeiras e falta de pautas


CHRISTINA NASCIMENTO

Jornal O DIA

Rio - O ano é 1970. No grupo de 40 presos políticos que foi solto em troca do fim do sequestro do embaixador da Alemanha, Ehrenfried von Holleben, estava o jovem Cid Queiroz Benjamim, 22 anos. Hoje, aos 65, ele está nas ruas engrossando os protestos que começaram na internet pela redução da passagem de ônibus. Não é um saudosista, afinal o cenário é bem diferente da época de opressão militar. Apoiado na sua experiência, não critica o apartidarismo do movimento atual. Apenas a hostilidade a bandeiras.

“Estou achando esses jovens, em termos de condução política, corretos, firmes e lúcidos. É evidente que o perfil do universitário daquela década para cá mudou muito. Atualmente, com o sistema de cotas, existe acesso maior de classes que eram excluídas”, analisou Benjamim, que é jornalista e assessor de imprensa da Comissão da Verdade no Rio. Se na década de 60, as bandeiras da esquerda alimentavam o movimento, agora elas não são bem-vindas pela maioria. Mas, para o ex-preso político, isso não desqualifica a mobilização: “Ser apartidário é uma coisa positiva. Só não a cabe a hostilidade a quem não é, o que, aliás é gravíssimo”.

Preso também durante a ditadura, o professor e ex-deputado federal Vladimir Palmeira, 68 anos, fez questão de acompanhar o filho no último protesto no Rio, na quinta-feira. Apesar de certo de que o ato político pode trazer mudanças sociais importantes, ele questiona a falta de organização do movimento, mas também não vê problemas no ato não ter uma legenda partidária que os represente.

“Acho que o fato deles garantirem que não vai ter aumento por um tempo dá um fôlego, mas bombearam quando não definiram uma pauta específica de reivindicações. Já deveriam ter feito esse debate em plenárias, com convocações da população. Falharam neste sentido”, critica.

Para os estudantes, intenção é aprofundar conquistas anteriores

A democracia em pauta é o fio condutor para o mergulho nos anos 60. Se antes a luta era pela liberdade e a participação, hoje o pleito é o direito de exercer plenamente essa conquista com o fim da ditadura. É o que acredita o historiador Gabriel Siqueira, 24 anos, um dos representantes no Rio do Movimento Passe Livre.

“O cidadão quer ser participativo neste sistema democrático. Ele quer ser ouvido, questionado, dar opiniões. Não basta apenas votar, queremos ser consultados sobre as concessões nos transportes públicos, nas votações de medidas nas áreas de saúde e educação”, afirmou.

Para o universitário Kauê Fernandes, 25 anos, da Universidade Federal Rural do Rio, o que há de similar com as décadas de 60 e 70 é que a força de segurança continua rechaçando os manifestantes que estão em atos pacíficos: “Os vândalos devem ser presos, mas tem muita gente de bem que está com medo de ir para os atos por causa da arbitrariedade dos agentes de segurança”, comenta o estudante.

http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2013-06-23/lideres-de-atos-contra-a-ditadura-avaliam-luta-atual.html

domingo, 16 de junho de 2013

7º Encontro Preparatório Fórum Mundial de Ciência 2013 - Brasília, DF

Ciência para o Desenvolvimento Global
Ciência para o Ambiente e a Justiça Social

Programa

10 de julho de 2013

 8:00
Início dos trabalhos

 8:20
A- Desafios da ciência para a nova realidade social urbana

 8:20 – 9:00
A1 - A ciência e as Metrópoles

 9:00 – 9:20
A2 - Organização social e violência urbana

 9:20 – 9:40
Debate

 9:40 – 10:00
Café

 10:00 – 10:20
A3 - Mobilidade urbana

 10:20 – 10:40
A4 - O trabalho na nova realidade social urbana

 10:40 – 11:30
Debate e resumo da relatoria

 11:30 – 12:00
Mesa de abertura

 12:00 – 13:00
Conferência de Abertura

 13:00 – 14:00
ALMOÇO

 14:00
B - Desafios da ciência para o ambiente natural e desenvolvimento sustentável

 14:00 – 14:40
B1 - Conciliando conservação e desenvolvimento: o papel de redes regionais de pesquisa e pós-graduação

 14:40 – 15:00
B2 - Biometalurgia, uso de recursos minerais e aproveitamento de rejeitos

 15:00 – 15:50
Debate

 15:50 – 16:10
Café

 16:10 – 16:30
B3 - Principais desafios relacionados aos novos padrões de produção e consumo

 16:30 – 16:50
B4 - Conservação e recursos naturais: cerrado e pantanal

 16:50 – 18:00
Debate e apresentação da relatoria

11 de julho de 2013

 08:00
C - Ciência, qualidade de vida e justiça social

 8:00 – 8:40
C1 - Desenvolvimento de tecnologias e infra-estruturas de produção de insumos para a saúde

 8:40 – 9:00
C2 - Educação e o despertar da curiosidade e criatividade científica nos jovens

 9:00 – 10:00
Debate e relatoria

 10:00 – 10:20
Café

 10:20 – 10:40
C3 - Acesso ao conhecimento e divulgação científica

 10:40 – 11:00
C4 - O papel da ciência na promoção da justiça social

 11:00 – 12:00
Debate e relatoria

 12:00 – 14:00
ALMOÇO

 14:00
D - Cooperação e construção de políticas de internacionalização do conhecimento

 14:00 – 14:40
D1 - Papel dos organismos internacionais na internacionalização do conhecimento

 14:40 – 15:00
D2 - Cooperação bilateral e transferência do conhecimento (a definir)

 15:00 – 16:00
Debate e relatoria

 16:00 – 16:20
Café

 16:20 – 16:40
D3 - Oportunidades e mecanismos de acesso a redes internacionais de pesquisa

 16:40 – 17:00
D4 - Cooperação científica sul-sul e a internacionalização do desenvolvimento tecnológico e inovativo

 17:00 – 18:00
Debate e relatoria; reunião dos coordenadores de reuniões preparatórias


LINK:

http://fmc.cgee.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=125&Itemid=1357º Encontro Preparatório Fórum Mundial de Ciência 2013 - Brasília, DF
Publicado em Sexta, 07 Junho 2013 15:29





Site do Fórum Mundial de Ciência 2013 está no ar

Os interessados no Fórum Mundial de Ciência podem ter acesso a informações sobre o evento no site do encontro (http://www.sciforum.hu), que ocorrerá de 24 a 27 de novembro, no Rio de Janeiro (RJ). Pela primeira vez, o fórum será realizado fora da Europa. O tema do evento será “Ciência para o desenvolvimento sustentável global”.

O encontro reunirá políticos, tomadores de decisão, representantes da sociedade civil e grandes nomes da área científica brasileira e internacional, como Yuan Tseh Lee e Werner Arber, ganhadores do prêmio Nobel de química e fisiologia/medicina, respectivamente.

As sessões plenárias do evento terão como tema “Desigualdades como barreiras para a sustentabilidade global”, “Ciência política e governança”, “Integridade da ciência”, “Ciência dos recursos naturais”, “Ciência e o ensino da engenharia”, “O papel fundamental da ciência para a inovação”.

O fórum está sendo organizado pela Academia de Ciências da Hungria, em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o International Council for Science (ICSU), a American Association for the Advancement of Science (AAAS), a Academy of Sciences for the Developing World (TWAS) e o European Academies Science Advisory Council (Easac).

O CGEE é uma das entidades que fazem parte da Comissão Executiva Nacional dos Encontros Preparatórios que antecedem o Fórum Mundial da Ciência. Até agora, já foram realizados cinco eventos, que debateram os seguintes temas: Da educação para a inovação – construindo as bases para a cidadania e o desenvolvimento sustentável (São Paulo); Desafios para o desenvolvimento científico e tecnológico nos trópicos (Belo Horizonte); Diversidade tropical e ciência para o desenvolvimento (Manaus); Energia e sustentabilidade (Salvador) e “Oceano, clima e desenvolvimento (Recife).

O próximo evento será realizado em Brasília (DF), nos dias 10 e 11 de julho, e terá como tema “Ciência para o desenvolvimento”.

Link: http://fmc.cgee.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=125&Itemid=1357º Encontro Preparatório Fórum Mundial de Ciência 2013 - Brasília, DF





domingo, 2 de junho de 2013

Mercado de trabalho para os sociólogos e a Sociologia no Ensino Médio

Mercado de trabalho para os sociólogos e a Sociologia no Ensino Médio


Ronaldo Baltar



Caminhos da profissão do sociólogo e do professor de Sociologia





O mercado de trabalho para os sociólogos e para professores de Sociologia é distinto, mas compartilha problemas similares no Brasil. O primeiro problema está na participação, em grande quantidade, de profissionais formados em outras áreas nas vagas ofertadas para os formados em Sociologia ou Ciências Sociais. O segundo problema está na origem da formação acadêmica, que não qualifica os profissionais para atuarem no mercado de trabalho.

No Brasil, em grande parte das Instituições de Ensino Superior, a formação começa na entrada do estudante em um curso de Ciências Sociais ou de Sociologia. Os cursos de Ciências Sociais abrigam também a formação em Antropologia e Ciência Política. Cada universidade difere sobre o caminho a ser seguido por seus estudantes até chegarem ao mercado de trabalho. Mas passarão por uma primeira escolha: a licenciatura ou o bacharelado.

Enquanto os licenciados buscam o mercado de trabalho de professores do ensino médio, os bacharéis encontrar-se-ão em um mercado de trabalho mais difuso: o dos profissionais da "Ciência e Intelectuais", segundo definição da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Um número menor seguirá a formação acadêmica na pós-graduação stricto sensu.





O professor universitário pós-graduado visa, em grande parte, o mercado de trabalho mais restrito das universidades públicas e algumas confessionais, isto é, religiosas, com perfil similar.



No entanto, a maior parte da carga horária, da estrutura disciplinar e dos incentivos aos alunos dos cursos de Sociologia, ainda que não explicitamente, está voltada para a formação do próprio professor universitário. Nesses casos, ainda permanece um desinteresse com o ensino médio e um desconhecimento em relação às atividades profissionais do sociólogo. Acredita-se que, formando o acadêmico de nível superior - o "pesquisador" -, forma-se também o sociólogo ou o professor de ensino médio, o que não é verdade necessariamente.





O mercado de trabalho para o sociólogo

A profissão de sociólogo está estabelecida na Lei n º 6.888, de 10 de dezembro de 1980. São atividades do sociólogo o planejamento e a execução de pesquisas socioeconômicas, culturais e organizacionais, o levantamento sistemático de dados para subsidiar diagnósticos e a análise de programas em várias áreas (educação, trabalho, promoção social e outros). Também são atividades do sociólogo a assessoria e a prestação de consultorias a empresas, órgãos da administração pública direta ou indireta, entidades e associações. Embora existam esforços para a regulação da profissão, principalmente por parte da Federação Nacional dos Sociólogos (FNS) e alguns sindicatos estaduais, ainda não há uma delimitação efetiva para o campo de trabalho profissional do sociólogo. O empenho da FNS para a criação do Conselho Nacional de Sociologia é um passo importante para a regulação e fortalecimento da profissão.



As ofertas de emprego para sociólogo, dentro desse perfil profissional definido, são frequentes, mas não têm crescido nos últimos anos. As vagas são ofertadas principalmente por órgãos governamentais, empresas de consultoria e pesquisa, e organizações não-governamentais. Um exemplo pode ser ilustrado com o anúncio para contratação de sociólogo: Analista Socioambiental, vaga ofertada por uma empresa de Minas Gerais, com salário entre R$ 2.000,00 e R$ 3.000,00, para elaboração de relatórios socioeconômicos de projetos, levantamento e análise de dados e pesquisa de campo.



Um campo de trabalho não previsto inicialmente na definição do profissional, que também tem crescido, é o de Editor de Textos de Sociologia. Uma oferta de emprego, no estado de São Paulo, por exemplo, oferecia salário entre R$ 6.000,00 e R$ 7.000,00, para edição e produção editorial em obra didática de Ensino Médio referente à disciplina de Sociologia. Como normalmente acontece em outras profissões, essas são vagas que exigem experiência de trabalho comprovada.



De maneira geral, a caracterização do mercado de trabalho do sociólogo é difícil. São poucos os que, mesmo contratados para ao exercício específico da profissão, registram-se como sociólogos. Entre os que estão registrados, nem todos exercem as funções específicas definidas para o sociólogo.



De qualquer modo, tomando como parâmetro apenas os contratados como sociólogo (CBO 251120), segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho (CAGED/MTE), entre janeiro e maio de 2013, foram contratados 30 profissionais em todo o Brasil, com média salarial de R$ 3.295,00. Entre julho e dezembro de 2012, foram 46 contratações em todo o país, com média salarial de R$ 2.849,00.



Se acrescentarmos os contratados como Pesquisador de Ciências Sociais e Humanas (CBO 203505), no Brasil, ocorreram 66 contratações nos primeiros meses de 2013, com salário médio de R$3.297,00. Entre julho e dezembro de 2012, um total de 106 contratos de trabalho foram assinados em todo o país, com média salarial de R$ 2.187,00. Somando tudo, entre julho de 2012 e maio de 2013, foram 248 contratações com média salarial de R$2.907,00. Como comparação, entre janeiro e maio de 2013, foram contratados, em todo o país, 475 economistas (CBO 251205), com média salarial de R$ 4.494,00, segundo os dados do CAGED/MTE.



Deve-se ter em consideração também que o número de formados em Ciências Sociais/Sociologia é bem menor do que o número de formados em Economia e de outras disciplinas similares. Os dados disponíveis não permitem precisar a relação entre vagas ofertadas e pessoal formado em Sociologia. Mas, como referência, de acordo com os dados do Censo Populacional de 2010, do IBGE, do total de pessoas que concluíram o ensino superior no Brasil, mais de 37% tinham o diploma de Gerenciamento e Administração de Empresas. Outros 31% eram diplomados em Ciências da Educação, seguidos de 25% de bacharéis de Direito. Os formados em Economia ocupam o décimo lugar, com aproximadamente 6% do total. Os diplomados em Sociologia (Sociologia e Estudos Culturais) representavam em torno 0,2% da população com nível superior no Brasil.

O mercado de trabalho para o sociólogo não é favorável aos iniciantes na carreira. De acordo com os dados da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho (RAIS/MTE) de 2010, o perfil do profissional contratado tem, em média, acima de 40 anos de idade e mais de 10 anos no emprego. O despreparo com que os jovens sociólogos saem das universidades, em relação ao exercício da profissão, e a falta de estágios efetivamente vinculados ao trabalho profissional do sociólogo são fatores que agravam o problema.

O mercado de trabalho do professor de Sociologia no Ensino Médio

A categoria profissional dos professores é bem mais organizada e com perfil de trabalho claramente delimitado. O licenciado em sociologia enquadra-se nesse campo profissional. Do ponto de vista salarial, há uma diferença entre escolas públicas e privadas. Para a rede pública, o Ministério da Educação (MEC) estabeleceu, em 2013, um piso salarial de R$ 1.567,00. Vários estados não cumprem o piso estabelecido pelo MEC, motivo de mobilização constante da categoria em todo o Brasil.

Segundo dados do CAGED/MTE, o salário médio para contratação de professor de Sociologia no ensino médio fora da rede pública era de R$ 900,00 em maio de 2013. Como comparação, no mesmo período, professores de Sociologia no ensino superior da rede privada foram contratados, em média, por R$ 1.139,00.

O ensino de Sociologia e de Filosofia foi banido da educação básica pelo regime militar, por meio do Decreto Lei n. 869 de 1968. Essas disciplinas foram substituídas por Organização Social e Política Brasileira (OSPB) e Educação Moral e Cívica. Com o fim da ditadura, em algumas poucas universidades, docentes de Sociologia empreenderam uma trabalhosa campanha pela retomada do ensino de Sociologia no ensino básico. Desafiando o descrédito, fortaleceram cursos de licenciatura, criaram laboratórios de ensino, projetos e linhas de pesquisa vinculadas à prática docente de Sociologia.

Em maio de 2008, o Congresso Nacional votou a alteração na Lei 9.394 de 1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), tornando novamente obrigatório o ensino de Sociologia e Filosofia no Ensino Médio. Ainda, em 2008, a Secretaria de Educação Básica Presencial da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) fez um levantamento sobre a necessidade de docentes para o ensino no Brasil, constatando que seriam necessários 107.680 professores de Sociologia para fazer cumprir a nova lei. Naquele ano, havia em todo o país 20.339 professores de Sociologia em exercício. O mercado de trabalho para professores de Sociologia no Ensino Médio demandaria 87 mil novas vagas no país.

Assim como ocorre com os bacharéis em Sociologia, o campo de atuação no ensino também é marcado pela presença de outros profissionais no lugar dos licenciados em Ciências Sociais/Sociologia. No mesmo estudo da CAPES de 2008, verificou-se que apenas 2.499 (pouco mais de 12%) dos 20.339 professores de Sociologia eram, de fato, formados em Sociologia ou Ciências Sociais.

Entre 2003 e 2008, a CAPES constatou que foram formados aproximadamente 14 mil licenciados em Ciências Sociais/Sociologia no Brasil. Nesse ritmo, se não houvesse nenhum aumento do número de turmas, seriam necessários mais de 30 anos para cobrir o déficit de docentes em 2008, sem contar os 18 mil docentes de outras áreas que ministravam turmas de Sociologia.









Tabela 1. Docentes que ministram disciplina de Sociologia no Ensino Médio

Disciplina de Sociologia

Professores %

Formados em Ciências Sociais - Licenciatura? Não 49.041 89,7%

Sim 5.613 10,3%

Fonte: INEP, Microdados do Censo Escolar – Docentes, 2012. Elaboração própria





Em 2012, analisando-se os microdados do Censo Escolar produzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), havia 54.654 professores ministrando turmas de Sociologia no ensino básico. Os licenciados na área eram 10,3% do total. O número de docentes de Sociologia mais do que dobrou entre 2008 e 2012, mas a participação dos licenciados em Ciências Sociais/Sociologia reduziu-se.



As dez universidades que formaram o maior número entre os 5.613 professores de Sociologia licenciados na área foram as seguintes: Universidade Federal do Pará, PUC-Minas Gerais, Universidade Estadual de Vale do Acarau, Universidade Federal Fluminense, Universidade Estadual de Londrina, Universidade do Oeste Paulista, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caruaru, Faculdade de Filosofia de Passos, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade de Santa Cruz do Sul.

Tabela 2. Turmas de Sociologia por docentes formados em Ciências Sociais - Licenciatura por Categoria, 2012

Categoria Turmas de Sociologia

Docentes com Licenciatura em Ciências Sociais Docentes formados em outros cursos

Turmas % Turmas %

Categorias de Escola Privada Escola Pública 48.311 20,0% 193.192 80,0%

Particular 4.530 15,8% 24.171 84,2%

Comunitária 33 10,4% 284 89,6%

Confessional 79 14,7% 457 85,3%

Filantrópica 733 13,7% 4.613 86,3%

Fonte: INEP. Microdados Censo Escolar - Docentes, 2012. . Elaboração própria.



Os dez estados que oferecem o maior número de turmas de Sociologia, com professores formados na área, são Rio de Janeiro, Pará, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Ceará, Santa Catarina e Distrito Federal.

Comparando-se o número de turmas ofertadas em todas as escolas, observa-se que os professores formados em Sociologia ministraram turmas de outras matérias. Segundo os dados do Censo Escolar de 2012, ainda havia mais turmas ofertadas de Estudos Sociais do que de Sociologia.

A defasagem entre o número de turmas da disciplina de Sociologia ofertadas por professores formados na área e não formados na área é maior nas escolas particulares. De maneira geral, sendo, curiosamente, as escolas comunitárias e filantrópicas as que menos contratam professores formados em Sociologia para ministrar a disciplina.

O mercado de trabalho para os sociólogos e professores de Sociologia

Há um potencial grande para a carreira de sociólogo no Brasil, tanto para o bacharel, quanto para o licenciado. Há um ritmo constante de oferta de vagas para pesquisadores com perfil profissional na área, não apenas no setor público, mas também em empresas e organizações não-governamentais. O mercado de trabalho potencial para os licenciados é muito maior do que o número de formados anualmente nas universidades.

Mas ainda há problemas sérios a serem enfrentados. Há o problema de ocupação do campo de trabalho, majoritariamente exercido por profissionais de outras áreas. Há o problema salarial, principalmente para o exercício da docência na rede privada de ensino.

Há também o problema da formação. Em grande parte das universidades, os cursos de Ciências Sociais e Sociologia precisam reestruturar-se para ofertar uma formação direta tanto para o sociólogo profissional, quanto para o professor de Sociologia. São necessárias disciplinas voltadas para o perfil da profissão, como pesquisa não-acadêmica, análise de dados, planejamento, organização de projetos sociais entre outros tópicos. Para o bacharel, o estágio profissional deve ser estruturado e acompanhado de perto por profissionais da área, para que se possa apresentar uma alternativa às barreiras para a entrada do jovem sociólogo no mercado profissional. Mais do que isso, é necessário encarar a formação do sociólogo e do professor de Sociologia no Ensino Médio em pé de igualdade com a formação do professor universitário, muito mais incentivada e valorizada pelo sistema acadêmico de avaliações.



Ronaldo Baltar é professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina. E-mail: baltar@uel.br

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